Preparar-se para concurso público requer, além de muito estudo, autoconhecimento e respeito do ritmo próprio, afirmam os professores de didática Margareth Martins e Carlos Parada, da Universidade Federal Fluminense (UFF). Aceitar o erro como parte do processo de estudo, ter afinidade com a carreira escolhida, e analisar se a escolha feita pelo candidato não é uma imposição própria, ou da família, são fundamentais para ao bom desempenho nas provas. O mais importante, porém, é analisar o melhor caminho associando-o à felicidade, sem desespero.
Na ânsia de passar o mais rápido possível nas provas, muitos candidatos acabam por desenvolver uma auto-cobrança, associada a uma imposição definida pela sociedade, sem vislumbrar outras oportunidades. Segundo Carlos Parada, “a pessoa tem outras possibilidades que não consegue ver. Decidiu que quer fazer concurso e fica amarrada naquilo ali. Não por ser incapaz, mas às vezes não é para a pessoa. Não está harmonizado com a história dela, com o ritmo dela”.
Entretanto, quando o candidato tem certeza quanto à vocação, é preciso que esteja atento ao próprio espaço e às suas fronteiras físicas e emocionais. Para Margareth Martins, parte da dificuldade encontrada pelos candidatos reside na “auto-competitividade”, que, muitas vezes, faz com que o concurseiro falhe nos exames. “A sociedade capitalista afirma que a competição é externa ao homem. Não é. A competição é interna, é você com você próprio. É para você se melhorar, para você se conhecer, para você poder saber onde é o seu espaço”, afirma a professora.
Os professores enfatizam, ainda, que é necessário a pessoa respeitar o próprio ritmo para ter equilíbrio físico e emocional e, dessa forma, encontrar seu caminho. A dica, segundo Margareth, é o candidato se aceitar como ele é: com ou sem conhecimento, e desenvolver um olhar de compreensão, e não de julgamento sobre os fatos. Preceito esse que pode ser usado em diversos relacionamentos, além dos campos de estudo e de trabalho.
O respeito ao próprio ritmo, associado à tranqüilidade, favorece a qualidade do desempenho do candidato na prova e, inclusive, na vida. “Você internaliza isso e é uma forma de você agir assim para tudo, até para escolher papel para a sua impressora. Você tem uma forma de ser feliz que é só sua, uma forma de viver que cabe só em você e não vai caber em mais ninguém. Mas o preço a se pagar é altíssimo, e o retorno é inimaginável. Até para fazer a prova no dia seguinte”, defende a Margareth.
De acordo com Parada,“é a coisa do tempo também. Cada um tem um tempo próprio. Não adianta pessoa querer forçar se está fora do ritmo dela”. A psicóloga Terezinha Moreira confirma a explicação do professor ao enfatizar que “é válido continuar tentando, porque pode não ser ainda o momento de aquele candidato passar nos exames. Cada um tem o seu tempo”. Portanto, se você é concurseiro e tem certeza do que quer, não se desespere, mantenha o seu ritmo no seu tempo.
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