(Texto publicado originalmente no periódico online O EstadoRJ, em julho de 2009.)
Cuba ainda está no centro das atenções, apesar do fim da Cúpula das Américas, realizada em abril deste ano. Os Estados Unidos reiteraram o pedido ao governo cubano para libertar presos políticos e eliminar impostos referentes ao envio de remessas de cubano-americanos à ilha. Após a derrubada de restrições a negócios de empresas de telecomunicações com Cuba, Barack Obama afirmou que a trajetória do país na adesão a organismos multilaterais e o fim do embargo serão processos lentos e vinculados a reformas democráticas na ilha. A cobrança estadunidense para Cuba incluirá respeito aos Direitos Humanos, liberdade de imprensa e a libertação de jornalistas presos por delito de opinião e de mais de 200 dissidentes políticos.
Raúl Castro parece desconfiado. Afinal, o fim da Revolução Cubana implica melhoras econômicas para a população. O motivo para a insistência na mudança política da ilha é simples: expansão de mercado consumidor, com a vantagem da proximidade geográfica entre ambos os países. De acordo com a Câmara Americana de Comércio, as exportações estadunidenses para o país alcançaram, em 2008, US$ 718 milhões, com o milho liderando o comércio, seguido de carne bovina, aves e trigo. Incrível. Um grupo de senadores norte-americanos apresentará legislação direcionada ao impulsionamento agrícola com Cuba, além de pretender incluir a permissão à ilha para pagamento de bens a crédito e o fim da política que exige o pagamento adiantado de produtos importados por Cuba.
A comercialização dos EUA com Cuba só foi possível graças ao Ato de Reformas de Sanção de Comércio e de Aumento de Exportações, que a partir do ano 2000, permitiu a venda de produtos agrícolas para a ilha com uma série de restrições e licenciamento. Dessa forma, o embargo perdeu força e chama a atenção de pequenos e médios produtores rurais estadunidenses. Além disso, o processo de mudança de postura do governo dos EUA em relação a Cuba foi tema da campanha presidencial de Obama e, atualmente, é parte da nova política externa norte-americana. Mesmo assim, o embargo econômico continua após 47 anos, fruto de uma política de segurança durante a Guerra Fria.
Mas os EUA não são o único país interessado em comercializar com a ilha. Venezuela, China, Canadá, Espanha e Brasil têm forte presença em Cuba. Apesar de a Lei Helms-Burton, de 1996, responsável por sancionar qualquer empresa que comercialize com o país e pela internacionalização do embargo, ainda estar vigente, há Estados que, hoje, têm motivos para investir na ilha. A partir de 2004, por exemplo, a China assinou 16 acordos de cooperação e de investimento com Cuba. E, desde o restabelecimento de relações diplomáticas, em 1986, Brasil e Cuba já firmaram mais de 50 acordos de cooperação, a maior parte voltada para as áreas de ciência, tecnologia e saúde. Em 2008, o comércio bilateral entre Brasil e Cuba nos três primeiros trimestres logrou US$ 482 milhões, o equivalente a um crescimento de 58% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O possível fim da Revolução certamente melhorará a condição de vida do povo cubano ao impulsionar a economia da ilha. Cuba é o maior exportador mundial de açúcar e, com a queda nos preços do produto devido às crises nas décadas de 1980 e de 1990, o país passou a diversificar os produtos para exportação, incluindo até frutas cítricas, para não manter-se atrelado a somente um item, já que a economia cubana, assim como a maioria dos países latino-americanos, é sustentada pela exportação de produtos primários. Além disso, o turismo, que antes do embargo era essencial para a economia de Cuba juntamente com a exportação de açúcar, voltou a se intensificar e tornou-se alvo de investimentos, principalmente no setor hoteleiro. Boas perspectivas para o país, apesar da crise financeira internacional.
Alessandra Baldner
Cuba ainda está no centro das atenções, apesar do fim da Cúpula das Américas, realizada em abril deste ano. Os Estados Unidos reiteraram o pedido ao governo cubano para libertar presos políticos e eliminar impostos referentes ao envio de remessas de cubano-americanos à ilha. Após a derrubada de restrições a negócios de empresas de telecomunicações com Cuba, Barack Obama afirmou que a trajetória do país na adesão a organismos multilaterais e o fim do embargo serão processos lentos e vinculados a reformas democráticas na ilha. A cobrança estadunidense para Cuba incluirá respeito aos Direitos Humanos, liberdade de imprensa e a libertação de jornalistas presos por delito de opinião e de mais de 200 dissidentes políticos.
Raúl Castro parece desconfiado. Afinal, o fim da Revolução Cubana implica melhoras econômicas para a população. O motivo para a insistência na mudança política da ilha é simples: expansão de mercado consumidor, com a vantagem da proximidade geográfica entre ambos os países. De acordo com a Câmara Americana de Comércio, as exportações estadunidenses para o país alcançaram, em 2008, US$ 718 milhões, com o milho liderando o comércio, seguido de carne bovina, aves e trigo. Incrível. Um grupo de senadores norte-americanos apresentará legislação direcionada ao impulsionamento agrícola com Cuba, além de pretender incluir a permissão à ilha para pagamento de bens a crédito e o fim da política que exige o pagamento adiantado de produtos importados por Cuba.
A comercialização dos EUA com Cuba só foi possível graças ao Ato de Reformas de Sanção de Comércio e de Aumento de Exportações, que a partir do ano 2000, permitiu a venda de produtos agrícolas para a ilha com uma série de restrições e licenciamento. Dessa forma, o embargo perdeu força e chama a atenção de pequenos e médios produtores rurais estadunidenses. Além disso, o processo de mudança de postura do governo dos EUA em relação a Cuba foi tema da campanha presidencial de Obama e, atualmente, é parte da nova política externa norte-americana. Mesmo assim, o embargo econômico continua após 47 anos, fruto de uma política de segurança durante a Guerra Fria.
Mas os EUA não são o único país interessado em comercializar com a ilha. Venezuela, China, Canadá, Espanha e Brasil têm forte presença em Cuba. Apesar de a Lei Helms-Burton, de 1996, responsável por sancionar qualquer empresa que comercialize com o país e pela internacionalização do embargo, ainda estar vigente, há Estados que, hoje, têm motivos para investir na ilha. A partir de 2004, por exemplo, a China assinou 16 acordos de cooperação e de investimento com Cuba. E, desde o restabelecimento de relações diplomáticas, em 1986, Brasil e Cuba já firmaram mais de 50 acordos de cooperação, a maior parte voltada para as áreas de ciência, tecnologia e saúde. Em 2008, o comércio bilateral entre Brasil e Cuba nos três primeiros trimestres logrou US$ 482 milhões, o equivalente a um crescimento de 58% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O possível fim da Revolução certamente melhorará a condição de vida do povo cubano ao impulsionar a economia da ilha. Cuba é o maior exportador mundial de açúcar e, com a queda nos preços do produto devido às crises nas décadas de 1980 e de 1990, o país passou a diversificar os produtos para exportação, incluindo até frutas cítricas, para não manter-se atrelado a somente um item, já que a economia cubana, assim como a maioria dos países latino-americanos, é sustentada pela exportação de produtos primários. Além disso, o turismo, que antes do embargo era essencial para a economia de Cuba juntamente com a exportação de açúcar, voltou a se intensificar e tornou-se alvo de investimentos, principalmente no setor hoteleiro. Boas perspectivas para o país, apesar da crise financeira internacional.
Alessandra Baldner
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