O anúncio do governo de Cuba, neste mês de setembro, de realização de reformas econômicas no país é visto com cautela por parte dos habitantes cubanos. Apesar da demissão em massa de funcionários públicos, a entrada da iniciativa privada no país pode impulsionar a economia da ilha, minimizando os efeitos negativos da mudança, como o aumento do índice de desemprego. As medidas devem alavancar a produção interna, acarretando a melhoria econômica no longo prazo. O interesse demonstrado pela iniciativa privada estrangeira começa a gerar expectativas não só nos cubanos, mas, também, nos empresários brasileiros.
Segundo o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, para evitar que os 500 mil funcionários demitidos pelo governo cubano entrem no mercado informal de trabalho, o Brasil pretende estimular a presença de pequenas e médias empresas brasileiras na ilha. A cooperação entre os dois países é intensa, e ocorre desde 1986, quando foram reatadas as relações diplomáticas Brasil-Cuba. Atualmente, a Venezuela é a principal parceira comercial de Cuba, que também conta com o capital estrangeiro brasileiro, chinês e russo em projetos de exploração de recursos naturais. Percebe-se, então, que o Brasil não é o único país interessado em intensificar a parceria econômica e a comercial com Havana.
O Brasil tem a oportunidade de se firmar como um grande colaborador nas reformas estruturais da economia cubana. Na semana passada, o Assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, enfatizou a existência de três projetos brasileiros na ilha, alguns financiados pelo BNDES. O porto de Mariel será reformado pela Odebrecht; a atuação da Petrobras na prospecção de petróleo; e assessoria técnica prestada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para o plantio de soja em Cuba, visando à segurança alimentar da população cubana.
Dessa forma, o Brasil encontra-se presente em solo cubano em momento crucial para a economia daquele país. Cuba se prepara para mudar seu modelo econômico socialista, baseado em planificação, para adentrar no livre-comércio. E o Brasil, ao investir na ilha, gera empregos e acaba por afirmar sua presença no próprio continente, demonstrando sua preocupação com o desenvolvimento de nossos vizinhos caribenhos. O empresariado brasileiro certamente aproveitará a alta escolaridade da população cubana e, consequentemente, lhe propiciará melhorias na qualidade de vida, tão cara na Cuba atual. Bom para eles e para as empresas brasileiras. Ao realizar investimentos em nosso próprio continente, mostramo-nos ao mundo como um país importante nos cenários econômico e político internacionais.
Alessandra Baldner
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