quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A saída da Bolívia

(Texto originalmente publicado no periódico online O Estado RJ, em abril de 2010.)

Evo Moralesphoto © 2009 Sebastian Baryli | more info (via: Wylio)
O presidente boliviano Evo Morales declarou, no final de março deste ano, que a Bolívia “retornará ao mar cedo ou tarde”, durante o ato oficial que recordou a ausência de uma saída marítima daquele país. O fato retoma a questão da Guerra do Pacífico, ocorrida no final do século XIX, que envolveu Bolívia e Peru contra o Chile, e apresenta efeitos até os dias atuais. Ao fim do conflito, o Chile, vencedor, obteve o aumento de um terço de seu território, anexando parte das terras bolivianas e peruanas.

Uma reivindicação territorial apresentada pelo Peru contra o Chile, em 2009, pode se tornar mais um obstáculo à reconquista boliviana de acesso ao mar. Por ser um Estado mediterrâneo, a Bolívia sofre para conseguir exportar seus principais produtos, minerais (estanho, lítio e zinco) e hidrocarbonetos. Para isso, precisa assinar acordos de cooperação com os demais países sul-americanos, dentre eles, o Brasil. Apesar de permanecer neutro durante a Guerra do Pacífico, o governo brasileiro tornou-se ativo no que tange aos interesses de nossos vizinhos. Afinal, para nos desenvolvermos, precisamos ajudar os que estão em volta e fortalecer a economia da região, de acordo com o presidente Lula.


Aymara Women, El Alto, Boliviaphoto © 2007 Pedro Szekely | more info (via: Wylio)
Nesse sentido, o governo boliviano propôs, este mês, ao brasileiro que se construísse uma ferrovia para ligar as fronteiras de ambos os países ao Chile, objetivando facilitar as exportações para o mercado asiático, uma proposta vantajosa para Estados sem acesso ao Oceano Pacífico. Para o Brasil, trata-se de sugestão interessante, por causa dos fluxos de comércio com a Ásia. Para a Bolívia, seria uma espécie de “saída para o mar”. Além deste, outros projetos estão em pauta, como a instalação de um porto boliviano em território paraguaio, sugerida por autoridades brasileiras, e o financiamento brasileiro para a construção de uma rodovia que facilite o escoamento de produtos bolivianos, em acordo assinado em 2009.

Observa-se, desta forma, que o Brasil, sendo o país mais fortalecido da região, ao ajudar os vizinhos a se desenvolveram economicamente parece obter tantos lucros quanto os Estados favorecidos pelas ações brasileiras. Enfim, de acordo com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, “a generosidade não é, senão, o nosso próprio interesse no longo prazo”. Para aqueles que questionam o modo como autoridades brasileiras reagiram diante das instalações da Petrobras nacionalizadas por Evo Morales, o Brasil demonstra que se tratou apenas de “generosidade”.


Alessandra Baldner

Nenhum comentário:

Postar um comentário