terça-feira, 30 de novembro de 2010

Copenhague: lucro à vista


(texto originalmente publicado pelo periódico online O Estado RJ, em dezembro de 2009.)

O fracasso da Conferência da Organização das Nações Unidas para Mudanças Climáticas revelou ao público o que especialistas no assunto já previam: a indisposição chinesa e, principalmente, a estadunidense em se posicionarem a favor da redução de poluentes em seus territórios. Assim como o Plano de Ação de Bali, de 2007, o Acordo de Copenhague tornou-se apenas uma carta de intenções, sem valor legal ou significativo.

Essa não é a primeira vez que os Estados Unidos se recusam a colaborar com a redução de gases na atmosfera, não ratificando até hoje o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012. Os motivos para a oposição de chineses, de norte-americanos e de alguns países exportadores de petróleo são puramente econômicos. A China precisa financiar seu desenvolvimento com energia barata; os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) não deixarão seu balanço de pagamentos deficitário; e os EUA lucram de duas formas: uso de energia barata e possibilidade de cultura de produtos tropicais em seu território, devido às mudanças de temperatura.

Quem perde são os países pobres, especialmente africanos, que sofrerão com a desertificação dos solos e com a consequente inviabilidade da agricultura local. Alguns países asiáticos devem padecer de catástrofes climáticas, como aumento na quantidade de tufões e mudança no regime de monções, que já ocorrem com certa freqüência, e inundações. A Europa sofrerá com a escassez de água, mas a Rússia prontamente vislumbra lucrar com o derretimento das calotas polares, que liberará novas rotas marítimas, barateando os fretes, e com a liberação de portos, inclusive militares, no Ártico.

Ninguém disse que o mundo era justo. Contudo, para os ambientalistas e os demais preocupados com as ondas de calor há esperança de prosseguimento das negociações climáticas. Duas reuniões estão marcadas para 2010 e mais duas para 2011. Resta saber se haverá tempo suficiente para cooperação e para o alcance de um acordo positivo. De catástrofes climáticas já bastam os filmes hollywoodianos

Alessandra Baldner

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