(texto originalmente publicado pelo periódico online O Estado RJ, em janeiro de 2010.)
A coordenação das tarefas de ajuda humanitária finalmente parece estar acertada entre os países que se propuseram a colaborar com o Haiti. Em meio à tragédia que se abate sobre o país caribenho, e quase uma semana após o desastre, tropas brasileiras cuidam da segurança da população e Estados Unidos são responsáveis pela assistência humanitária. Os norte-americanos, que controlam o aeroporto da capital haitiana, já foram denunciados pela França por priorizar seus próprios interesses, e Hilary Clinton defendeu mais poderes aos EUA. Na disputa estrangeira pelo “poder” de administrar o país, como ficam os haitianos, maiores interessados na resolução do caos?
Medicamentos, comida, água e, agora, segurança são prioridades para o povo haitiano, que de pobre passou a miserável. Donativos não faltam e todos querem contribuir. O acesso, dificultado pela destruição está sendo feito somente pelo aeroporto, cuja administração foi assumida pelos Estados Unidos a pedido do presidente René Préval. As tropas da Missão da ONU para a Estabilização no Haiti (Minustah), lideradas pelo Exército brasileiro desde 2004, formada também por outros países, possuem conhecimento acurado do território haitiano, fato reconhecido pelos EUA. Então, por que não deixar as tropas da ONU coordenarem diretamente a ajuda?
A imagem desgastada pelas guerras do Afeganistão e do Iraque associa os norte-americanos a uma índole imperialista em relação aos demais países do globo, principalmente quando as populações locais não apoiam interferência estrangeira constante em seus territórios, conceito ruim constantemente explorado pela mídia internacional. O resultado é a desconfiança que os EUA geram em outras nações. Além disso, a crescente probabilidade de tentativas de fuga de refugiados para território norte-americano é alta, como ocorreu, em 1962, após a invasão da Baía dos Porcos, em Cuba.
Assim, nada melhor do que demonstrar vontade de ajudar os necessitados, nesse momento, de um país americano. Nada melhor do que mostrar a face humana. Os estadunidenses podem realmente estar preocupados com a população haitiana. E por que não? Entretanto, é preciso que haja não somente a vontade de mudar uma face desgastada, mas, também, de ajudar rapidamente a quem sofre. Tempo significa mais vidas, e para isso, cooperação é essencial.
Alessandra Baldner
A coordenação das tarefas de ajuda humanitária finalmente parece estar acertada entre os países que se propuseram a colaborar com o Haiti. Em meio à tragédia que se abate sobre o país caribenho, e quase uma semana após o desastre, tropas brasileiras cuidam da segurança da população e Estados Unidos são responsáveis pela assistência humanitária. Os norte-americanos, que controlam o aeroporto da capital haitiana, já foram denunciados pela França por priorizar seus próprios interesses, e Hilary Clinton defendeu mais poderes aos EUA. Na disputa estrangeira pelo “poder” de administrar o país, como ficam os haitianos, maiores interessados na resolução do caos?
Medicamentos, comida, água e, agora, segurança são prioridades para o povo haitiano, que de pobre passou a miserável. Donativos não faltam e todos querem contribuir. O acesso, dificultado pela destruição está sendo feito somente pelo aeroporto, cuja administração foi assumida pelos Estados Unidos a pedido do presidente René Préval. As tropas da Missão da ONU para a Estabilização no Haiti (Minustah), lideradas pelo Exército brasileiro desde 2004, formada também por outros países, possuem conhecimento acurado do território haitiano, fato reconhecido pelos EUA. Então, por que não deixar as tropas da ONU coordenarem diretamente a ajuda?
A imagem desgastada pelas guerras do Afeganistão e do Iraque associa os norte-americanos a uma índole imperialista em relação aos demais países do globo, principalmente quando as populações locais não apoiam interferência estrangeira constante em seus territórios, conceito ruim constantemente explorado pela mídia internacional. O resultado é a desconfiança que os EUA geram em outras nações. Além disso, a crescente probabilidade de tentativas de fuga de refugiados para território norte-americano é alta, como ocorreu, em 1962, após a invasão da Baía dos Porcos, em Cuba.
Assim, nada melhor do que demonstrar vontade de ajudar os necessitados, nesse momento, de um país americano. Nada melhor do que mostrar a face humana. Os estadunidenses podem realmente estar preocupados com a população haitiana. E por que não? Entretanto, é preciso que haja não somente a vontade de mudar uma face desgastada, mas, também, de ajudar rapidamente a quem sofre. Tempo significa mais vidas, e para isso, cooperação é essencial.
Alessandra Baldner
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