A Catalunha, região autônoma espanhola, tornou-se a primeira província a proibir a prática da tourada na Espanha, após muitas polêmicas. Mas o debate sobre o “esporte”, tido como tradição nacional por mais de 600 anos, ganhou contornos políticos, fazendo com que partidos trocassem acusações relativas à oportunidade de separatismo na região. No Leste Europeu, outro caso de separatismo, desta vez concreto, também chamou a atenção da opinião pública mundial para as novas ondas nacionalistas no continente: o Kosovo.
Após a declaração de independência do Kosovo, antiga província sérvia, em 2008, a Corte Internacional de Justiça (CIJ), órgão das Nações Unidas, declarou parecer favorável à autodeterminação kosovar em julho deste mês. O resultado agradou aos albaneses, que representam cerca de 90% da população, e que garantem que prefeririam lutar a serem governados pelas leis sérvias. Em que pese a Sérvia não aceitar a decisão da CIJ, afirmando que o Kosovo é apenas uma de suas províncias em vez de uma antiga república da ex-Iugoslávia, o novo país já foi reconhecido por cerca de 70 Estados.
A questão da Catalunha é um pouco parecida. Apesar de a batalha contra as touradas haver sido iniciada por uma organização de proteção aos animais, o debate foi politizado, havendo quem culpasse os nacionalistas, como o Partido Político Ciutatians, por uma demanda pela autodeterminação regional. A Catalunha é a província mais rica do país, com língua própria (o catalão), e com habitantes descontentes com a limitação da autonomia de Barcelona pela Suprema Corte Espanhola. Desta forma, a tourada ficou em segundo plano, sendo usada pelos separatistas como desculpa e como forma de diferenciar a região do resto da Espanha.
As últimas grandes ondas de autodeterminações ocorreram na segunda metade do século passado, sobretudo em países africanos e em asiáticos, e também após o desmembramento da ex-União Soviética. A contenda do Kosovo, assim como a da Catalunha, demonstra que os nacionalismos continuam mais vivos do que nunca, mesmo que Barcelona não venha a se separar da Espanha. No caso kosovar, após uma guerra de limpeza étnica iniciada pelos sérvios na década de 1990, a separação se tornou inevitável. Contudo, o episódio da Catalunha, embora baseado em necessidades diferentes, demonstra o poder de barganha da província relacionado às imposições espanholas. A limitação da autonomia catalã valeria a pena? Afinal, quem teria a perder, seria a Espanha.
Alessandra Baldner
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